Depois de dois adiamentos, uma reformulação quase completa e a troca de diretores, ‘Elio’ finalmente chega aos cinemas. Trata-se da primeira aposta original da Disney-Pixar desde ‘Elementos’, e, sob a nova direção de Domee Shi — a mesma de ‘Red: Crescer é uma Fera’ —, a aventura espacial adota uma abordagem relativamente segura. Ainda assim, segurança não significa ausência de coração ou do já conhecido charme da Pixar.
Elio é um menino órfão que vive em conflito com sua tia e nova guardiã, Olga. Fascinado pelo espaço sideral, ele tem suas preces atendidas quando é abduzido por alienígenas que o confundem com o líder da Terra. Na tentativa de sustentar essa fachada e conquistar uma vaga como embaixador intergaláctico, Elio entra em conflito direto com um senhor da guerra sanguinário. No entanto, acaba criando laços com Glordon, o filho do guerreiro, que sonha com algo além da destruição.
Apesar da divulgação fraca, de trailers pouco focados e do aparente desinteresse do estúdio, ‘Elio’ esconde um potencial emocional verdadeiro e uma mensagem tocante. O longa trata de temas como solidão, identidade, relações familiares e o desafio de se adaptar a uma nova realidade. Tudo isso se desenrola em meio a uma jornada colorida e vibrante, que equilibra bem o humor visual com momentos de silêncio significativos — onde um gesto simples, como um abraço ou o toque de mãos, pode dizer mais do que palavras.
O design dos personagens Elio e Olga segue o estilo visual adotado pela Pixar na década de 2020, com traços arredondados e menos foco no hiper-realismo. Em contrapartida, os alienígenas ganham identidades únicas e se afastam dos estereótipos da cultura pop. Embora os personagens sejam mais estilizados, os cenários — especialmente os do espaço — são construídos com riqueza de detalhes. A abertura do filme, mostrando a sonda Voyager 2 cruzando o sistema solar antes de ser capturada por alienígenas, já estabelece o tom da obra: a grandiosidade cósmica encontra a intimidade narrativa característica da Pixar.
‘Elio’ não segue a fórmula de montanha-russa emocional típica do estúdio, mas oferece momentos pontuais que enriquecem a trama e seus personagens. A relação entre Elio e Olga é um dos pilares do longa, retratando duas pessoas que, unidas por uma tragédia, tentam aprender a conviver e se compreender. Já a amizade entre Elio e Glordon dá ritmo à narrativa e funciona como sua espinha dorsal, conduzindo-a com sensibilidade e firmeza. O filme não hesita em afirmar, com ternura e coragem, que por mais isolado que alguém possa se sentir… nunca está verdadeiramente sozinho.
‘Elio’ pode não ser a produção mais ambiciosa da Pixar, mas isso nao diminui seu valor. Em meio à vastidão do espaço e criaturas de múltiplas formas, o longa encontra tempo para refletir sobre pertencimento, afeto e empatia. É um lembrete gentil de que o universo pode ser imenso — mas há sempre espaço para conexões profundas, mesmo nas galáxias mais distantes.

