Metropolis é uma das obras mais influentes do cinema expressionista alemão e um marco na história do cinema de ficção científica. O filme é um dos primeiros a adotar a estética que hoje associamos ao gênero, além de apresentar críticas afiadas a sistemas opressores. Sua influência pode ser percebida em diversos estilos cinematográficos quase cem anos depois de seu lançamento.
Metropolis foi produzido durante a República de Weimar, na Alemanha, um período marcado por instabilidade política, dificuldades econômicas e agitação social. O crescimento do capitalismo industrial, o movimento operário e os efeitos da Primeira Guerra Mundial influenciaram a forma como o filme retrata a exploração e a desigualdade. Além disso, os avançados recursos de produção e os efeitos especiais inovadores, como miniaturas, modelos em escala e técnicas avançadas de iluminação, foram revolucionários para a época.
A narrativa se passa em uma enorme cidade futurista dividida entre duas classes extremamente distintas: a elite rica, que vive em luxo nas áreas altas, e os trabalhadores oprimidos, que enfrentam condições de trabalho extremamente duras nos subterrâneos. O protagonista, Freder, filho do governante da cidade, Joh Fredersen, toma consciência do sofrimento dos trabalhadores e se apaixona por Maria, uma mulher que serve como líder espiritual para a classe operária. À medida que Freder se envolve mais com a causa de Maria, o filme explora os perigos da industrialização descontrolada, da desigualdade social e dos efeitos desumanizantes da tecnologia.
O longa se destaca principalmente por sua extraordinária arquitetura e design de produção, criando uma cidade futurista imersiva que se tornou um ícone do cinema. O expressionismo alemão, com suas linhas geométricas angulares e uma estética industrial opressiva, não apenas construiu a narrativa visual do filme, mas também estabeleceu um novo padrão para os filmes de ficção científica. A cidade de Metropolis, com suas gigantescas e imponentes estruturas, contrasta brutalmente com os subterrâneos sujos e claustrofóbicos onde os trabalhadores vivem e trabalham, reforçando a diferença entre as classes sociais. Embora essas imagens impressionem pela grandiosidade e inovação para a época, algumas podem parecer excessivamente estilizadas e artificiais para o espectador contemporâneo, dado o avanço dos efeitos especiais e das produções cinematográficas. A cidade de Metropolis inspirou diversas representações ficcionais, como Gotham na versão de Tim Burton e o videoclipe “Express Yourself” de Madonna.
Um dos temas centrais do filme é a separação extrema entre trabalhadores e elite. A narrativa apresenta um contraste visual marcante entre as áreas luxuosas da cidade e as profundezas escuras e opressivas onde os trabalhadores vivem e exercem suas funções. Essa separação reflete a crescente disparidade econômica observada na década de 1920, um período de rápida industrialização. O filme analisa como a tecnologia, quando mal utilizada ou abusada, pode se tornar uma ferramenta de opressão, reduzindo os trabalhadores a meros componentes da máquina. A figura icônica da Mulher-Máquina, um robô criado para imitar Maria, é um símbolo visual central dessa desumanização.
O diretor Fritz Lang utiliza técnicas visuais do expressionismo alemão, como cenários exagerados, iluminação dramática e formas geométricas marcantes, para evocar emoções e criar uma atmosfera de alienação e temor. A paisagem urbana imensa, com suas máquinas gigantes e arquitetura imponente, simboliza o poder avassalador da industrialização, capaz de engolir a individualidade humana.
Metropolis é uma exploração dos perigos do poder descontrolado, da industrialização e dos efeitos alienantes da modernidade. Sua influência no gênero da ficção científica, tanto em termos de narrativa quanto de estilo visual, é imensurável, e seus temas continuam a ser relevantes nas discussões contemporâneas sobre tecnologia, trabalho e justiça social. O filme é, ao mesmo tempo, um espetáculo visual e um comentário filosófico e político profundo.