Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante de 2025 estavam Ariana Grande, Felicity Jones, Mônica Barbaro e Isabella Rossellini. A indicação de Rossellini gerou intenso debate, com parte do público argumentando que nomes como Margaret Qualley ou Selena Gomez deveriam ter sido escolhidos em seu lugar. Apesar das controvérsias, Isabella celebrou a conquista de sua primeira indicação ao prêmio, reconhecida por sua performance estoica e contida como uma freira em meio a um conclave.
A trajetória de Isabella Rossellini é uma das mais singulares da indústria cinematográfica. Embora muitas vezes tenha sido deixada de lado em discussões sobre os chamados “nepobabies”, seu legado merece ser analisado.
Para falar de Isabella Rossellini, é essencial mencionar sua mãe, a lendária atriz Ingrid Bergman.
Bergman, que era casada com o dentista sueco Petter Lindström e já tinha uma filha, iniciou um romance com o diretor italiano Roberto Rossellini durante as filmagens de ‘Stromboli’ (1950). A gravidez antes do divórcio gerou uma forte reação moralista, especialmente nos Estados Unidos. O caso foi amplamente criticado, e Bergman chegou a ser considerada uma “ameaça à instituição da família americana” pelo Senado dos EUA. O senador Edwin C. Johnson a atacou publicamente, alegando que ela era uma influência negativa para a sociedade. A colunista de fofocas Hedda Hopper também a condenou, afirmando que ela corrompia os valores morais do país.
Isabella, sua irmã gêmea Isotta e seu irmão Roberto Ingmar foram frutos desse relacionamento. Criada em um ambiente artístico e multicultural, Isabella passou a infância entre a Itália e a França. Aos 13 anos, foi diagnosticada com escoliose e submetida a longos tratamentos médicos, experiência que contribuiu para sua resiliência.
Nos anos 1980, Isabella Rossellini tornou-se um dos rostos mais icônicos da moda. Seu grande salto aconteceu quando foi contratada como embaixadora da Lancôme, cargo que ocupou por 14 anos. Com sua beleza sofisticada e atemporal, ajudou a definir padrões de elegância na indústria. Durante sua carreira como modelo, colaborou com Madonna no polêmico livro ‘SEX’ e no videoclipe ‘Erotica’.
Paralelamente, Rossellini construiu uma sólida, mas modesta, carreira como atriz, destacando-se especialmente em colaborações com diretores visionários. Seu papel mais emblemático foi o da enigmática Dorothy Vallens em ‘Veludo Azul’, de David Lynch, um filme de forte carga psicológica e sensual que consolidou seu nome em Hollywood. Outros trabalhos notáveis incluem ‘A Morte Lhe Cai Bem’ e diversas outras parcerias com Lynch.
Na televisão, Isabella fez participações especiais em séries como ‘Friends’, ‘30 Rock’ e diversas minisséries e documentários. Um de seus projetos mais inovadores e inusitados foi ‘Green Porno’ uma série educativa e humorística sobre a vida sexual dos animais, na qual interpretava diversas criaturas para explicar seu comportamento reprodutivo. Inicialmente visto como excêntrico, o projeto tornou-se um sucesso e foi aclamado por sua abordagem criativa e cientificamente precisa.
Isabella Rossellini foi casada com o diretor Martin Scorsese entre 1979 e 1982. Além de sua relação com Lynch, teve um relacionamento com o ator Gary Oldman. Mãe de dois filhos, incluindo uma filha adotiva, Isabella sempre equilibrou a vida pessoal com a carreira.
Aos 72 anos, continua ativa no cinema, na moda e na televisão. Administradora de uma fazenda sustentável em Nova York, dedica-se à agricultura regenerativa e à conservação da natureza. Seu amor pelos animais, pela ciência e pelo cinema transparece em muitos de seus projetos atuais, consolidando-a como uma artista versátil e uma ativista apaixonada. Rosselini recebeu o reconhecimento da academia em forma desta indicação, honrando o legado traçado por sua mãe.