Tratando-se de estúdios de animação de relevância na atualidade, a Sony Pictures Animation vive uma notável volta por cima. Responsável por produções e adaptações amplamente questionáveis como ‘Angry Birds’ e ‘Emoji: O Filme’, o estúdio reinventou sua imagem ao lançar animações que ajudaram a redefinir o gênero, como a franquia ‘Aranhaverso’ e o anárquico ‘Os Mitchell contra as Máquinas’. O mais novo integrante desse panteão é um filme ambicioso, com uma premissa particularmente inusitada, em desenvolvimento desde 2021: ‘K-Pop Demon Hunters’.
Na trama, demônios espreitam a Coreia há séculos, mas caçadoras dedicadas enfrentam essas forças do mal com performances coreografadas e harmônicas. Na década de 2020, o grupo formado por Rumi, Mira e Zoey integra a banda de sucesso Huntrix, unida por laços de amizade e pelo desejo de salvar o mundo. No entanto, a estabilidade do país — e talvez do planeta — é ameaçada quando uma boy band demoníaca, liderada pelo carismático Jinu, surge para pôr em prática seus planos nefastos. Enquanto isso, Rumi, vocalista das Huntrix, esconde um segredo que pode mudar o rumo da história.
Embora a narrativa central — a clássica batalha entre o bem e o mal entrelaçada com conflitos pessoais — não seja exatamente original, o que se destaca é a forma como elementos conhecidos são executados com criatividade e personalidade. Rumi carrega alegorias mais profundas em sua jornada e estabelece um contraponto coeso com Jinu, ao mesmo tempo em que sua amizade com Mira e Zoey é desenvolvida com sensibilidade.
A animação alterna com fluidez entre o épico e o cartunesco, apresentando expressões e designs exagerados inspirados por mangás, animes e outros elementos da cultura pop oriental. As cenas são animadas com maestria e, embora mais seguras visualmente do que as de ‘Aranhaverso’, demonstram a versatilidade do estúdio, entregando sequências de ação mais impactantes do que muitos filmes live-action contemporâneos.
K-pop pode não agradar a todos, mas é inegavelmente um fenômeno global — e o filme sabe aproveitar isso ao máximo, especialmente em sua trilha sonora. Canções chicletes com letras propositalmente cafonas se equilibram com baladas emocionantes sobre autoaceitação, em números musicais coloridos e extremamente criativos.
‘K-Pop Demon Hunters’ não é apenas mais uma animação estilizada com apelo jovem: é uma afirmação da capacidade da Sony de se reinventar e ousar narrativamente. Ao unir música, mitologia e ação com uma estética pop feroz, o estúdio prova que ainda há espaço para inovação dentro de estruturas conhecidas. Para fãs de animação, cultura pop coreana ou boas histórias de heroísmo moderno, essa obra se apresenta como um espetáculo visual e emocional que vale a pena ser assistido — e celebrado.

