Bong Joon Ho conquistou Hollywood com seu premiado filme ‘Parasita’ e fez história. Considerado um dos maiores diretores do século XXI, o sul-coreano é conhecido por contar histórias impactantes sob uma lente única e, geralmente, não convencional, conseguindo mesclar diferentes gêneros de maneira fluida e, na maior parte das vezes, bem recebida pelo público. Após se tornar um ícone contemporâneo em 2019, com as vitórias históricas de ‘Parasita’, Bong Joon Ho lança sua primeira obra desde então: a ficção científica ‘Mickey 17’, estrelada por Robert Pattinson.  

Mickey Barnes integra uma expedição interplanetária como um “descartável”, um funcionário cuja função é morrer e ser substituído por meio de uma tecnologia inovadora e controversa. Quando sua 17ª versão sobrevive a um evento impossível, Mickey descobre que sua 18ª cópia já foi criada — e está mais instável do que nunca. Em meio a um planeta desconhecido, repleto de criaturas fatais, e fugindo das autoridades, os dois Mickeys precisam aprender a trabalhar juntos — e, desta vez, sem a opção de morrer. 

Como era de se esperar, o filme combina diversos conceitos instigantes, levando o espectador a refletir sobre temas como a condição humana, o colonialismo e as implicações éticas de tecnologias capazes de transformar radicalmente a sociedade. Além disso, a narrativa faz uma sátira política ao governo de Donald Trump, com um líder fictício que remete ao presidente em diversos aspectos. Lançado em meio ao retorno de Trump à Casa Branca, o filme pode provocar reações distintas no público — e, talvez, deixar seus opositores apreensivos.  

Apesar de sua carga crítica, ‘Mickey 17’ também pode ser interpretado como uma dark comedy: das mortes absurdamente grotescas de Mickey às interações hilárias entre suas múltiplas versões, o roteiro entende seu público e sabe como equilibrar humor e tensão. Os efeitos especiais impressionam ao retratar a grandiosidade da nave e do planeta alienígena, povoado por criaturas peculiares que lembram artrópodes. A interação entre os dois Robert Pattinsons é impecável, demonstrando como o cinema avançou na técnica de colocar múltiplas versões do mesmo ator em cena. 

Pattinson brilha no papel principal, entregando duas performances distintas do mesmo personagem: enquanto um Mickey é submisso e tenta cumprir sua função sem chamar atenção, o outro é caótico e letal. Mark Ruffalo e Toni Collette interpretam caricaturas de Donald e Melania Trump, com exageros que se encaixariam melhor em um quadro do ‘Saturday Night Live’, mas que ainda assim proporcionam momentos cômicos. Steven Yeun e Naomi Ackie completam o elenco, dando mais profundidade à trama e ao protagonista.  

Embora seja difícil comparar com o fenômeno que foi ‘Parasita’, ‘Mickey 17’ entrega uma experiência envolvente para os fãs de Bong Joon Ho, mesclando ficção científica, crítica social e questões éticas que permeiam a humanidade.  

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