O cinema sempre foi um espaço de grandes telas e salas escuras, onde histórias ganham vida e a imaginação se expande. Mas e se ele pudesse caber na palma da mão? Se pudesse ser consumido no tempo exato entre um suspiro e um pensamento? Essa é a premissa do Pocket Cinema, um projeto que transforma a experiência cinematográfica para os tempos do agora, onde a tela principal é a do celular e o público está em constante movimento.

Criado com uma proposta internacional, de diluição de fronteiras, o Pocket Cinema traz curtas-metragens em inglês, mas sempre com legendas em português, garantindo um diálogo acessível para além das barreiras linguísticas. A ideia central é tornar o cinema disponível para todas as pessoas em suas rotinas aceleradas. Um respiro contemporâneo, um convite para que as narrativas se espalhem.

O tempo de um filme não precisa ser definido pelo formato tradicional; ele pode ser um instante, uma faísca de significado no fluxo contínuo do dia a dia.

No centro desse projeto está uma linguagem que se articula entre o cinema, o teatro e a performance. Cada obra se constrói na fusão desses elementos, explorando a relação entre o humano e o tempo, entre a identidade e a dissolução. Há uma constante busca por significados que se desintegram ou se transformam, evocando questões sobre a urgência da experiência e a fragilidade da palavra.

O diálogo com o teatro é essencial nesse processo. Em algumas obras, a estrutura de atos aproxima o cinema de uma experiência cênica, onde a narrativa se organiza em movimentos, e o espaço é ocupado por corpos que não apenas se expressam, mas também invocam a presença de algo maior. A forma como os corpos interagem, como o olhar do espectador é conduzido e como o tempo se dilata ou se contrai dentro de cada cena, são elementos que aproximam o Pocket Cinema de um espetáculo ao vivo, onde se evidencia o risco do presente imediato, de algo que acontece no agora, mesmo quando assistido na tela de um celular.

Há também um compromisso com a reflexão. Interrogar a condição humana e a dinâmica das relações de poder, questionando a inserção do indivíduo em sistemas que muitas vezes nos ultrapassam, é também objetivo deste trabalho. No Pocket Cinema, cada curta, mesmo em sua brevidade, carrega uma interrogação, um convite ao pensamento.

O Pocket Cinema não busca apenas adaptar o cinema às redes sociais, mas reinventá-lo para esse novo espaço. O formato curto não é um limite, mas uma potência: ele exige precisão, intensidade e uma conexão direta com o espectador. Se no cinema tradicional a imersão acontece na escuridão da sala, aqui ela ocorre na luz azul da tela do celular, no instante roubado entre uma notificação e outra.

Mais do que um projeto de curtas para internet, Pocket Cinema é um manifesto sobre a adaptação da arte ao nosso tempo, sem perder sua profundidade e sua capacidade de provocar. É um chamado para assistir, sentir e pensar. E, acima de tudo, para manter viva a conexão entre o cinema e as pessoas, independentemente do tempo, do lugar e do formato.

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