O lançamento iminente da adaptação cinematográfica de Wicked coloca os fãs em êxtase com a possibilidade de ver uma reimaginação das bruxas boas e más da Terra de Oz. Walt Disney, visionário da animação e fundador do Walt Disney Studios, foi um dos nomes que tentou replicar o sucesso de O Mágico de Oz durante sua vida, falhando inúmeras vezes em capturar a magia e o encanto do filme estrelado por Judy Garland. Após sua morte, duas tentativas foram feitas para adaptar o mundo encantado: o macabro ‘Return to Oz‘ de 1985 e “Oz – Mágico e Poderoso” de 2013.

O filme de Sam Raimi conta a história de um mágico fracassado que é transportado para o vibrante mundo de Oz, onde vive sob a ameaça iminente de uma feiticeira malvada. Oscar, apelidado de Oz, explora esse mundo na companhia de uma boneca de porcelana e um macaco voador, sem perder a oportunidade de encantar alguns civis com suas ilusões.

Esta prequela de “O Mágico de Oz” explora como o farsante que tomou controle de Oz chegou ao mundo encantado e conheceu suas poderosas criaturas. Ambientada décadas antes da primeira visita oficial de Dorothy ao país, o filme procura prestar homenagem ao clássico de 1939, com designs semelhantes e referências constantes para criar uma ligação com o filme de Garland, tornando plausível a possibilidade de se passar no mesmo universo. 

A decisão de colocar Oscar como líder em um mundo onde a maioria das protagonistas e figuras de poder são mulheres é, no mínimo, controversa. Um dos piores aspectos do filme reside nas decisões referentes à origem da Bruxa Má do Oeste, que foram feitas de maneira a se distanciar o máximo possível do mundo de Wicked e da iconologia que acompanha Elphaba desde o lançamento do livro de Gregory Maguire em 1995. No entanto, a inclusão de criaturas do mundo de Oz, omitidas em outras adaptações, como a cidade de porcelana, é uma boa expansão mitológica.

Por se tratar de um filme de Sam Raimi, a cinematografia imerge no surrealismo e encantamento proporcionado nos livros de L. Frank Baum, desenvolvendo bastante criatividade e cautela na construção do mundo, seja com a mistura de elementos práticos e digitais. A homenagem à transição para Technicolor de 1939 ao chegar em Oz expande nossa visão desse universo.

A maioria das atuações são automáticas e exageradas (de forma negativa): James Franco parece estar sob efeito de entorpecentes na maior parte do longa, e os gritos de Mila Kunis afastam qualquer credibilidade em seu papel como Theodora. Rachel Weisz e Michelle Williams parecem entediadas com o produto do qual fazem parte. Os figurinos procuram fazer referência aos personagens da década de 1930, mas adicionam toques de modernidade ao mundo atemporal de Oz.

Mesmo que tenha sido um sucesso comercial e proporcionado duas horas de distração, “Oz: Mágico e Poderoso” se perde na quantidade de referências, esquecendo de criar uma história coerente e interessante, com personagens que se sustentem.

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