O Oscar de 2025 se aproxima rapidamente, e, depois de muitos anos, produtores e artistas brasileiros vivem a expectativa de conquistar um dos prêmios mais cobiçados da indústria cinematográfica. Até hoje, apenas uma pessoa nascida no Brasil teve o privilégio de levar para casa a estatueta dourada, embora seja frequentemente esquecida em relação a outros nomes nacionais que poderiam atrair mais atenção do grande público. Essa pessoa é a designer de produção Luciana Arrighi.  

Filha de um diplomata italiano e de uma artista australiana, Arrighi nasceu no Rio de Janeiro em 1940. No entanto, deixou o Brasil ainda criança, aos dois anos de idade, quando seus pais foram transferidos para outro país. Durante a Segunda Guerra Mundial, seu pai foi preso pelos alemães sob acusação de “alta traição”, sendo posteriormente libertado. Após esse episódio, Luciana foi criada e educada na Austrália, onde estudou no East Sydney Technical College.

Mais tarde, mudou-se para o Reino Unido e começou a trabalhar na BBC, onde chamou a atenção do diretor Ken Russell. Ele reconheceu seu talento e a convidou para colaborar em seus primeiros filmes, como ‘Isadora Duncan, a Maior Dançarina do Mundo’. Além do cinema, Arrighi estudou pintura na Itália e trabalhou com figurinos para teatro e ópera, contribuindo para importantes instituições como a Vienna State Opera, a Opera Australia e a Royal Opera House, em Covent Garden. Também viveu em Paris por dois anos, onde chegou a ser modelo do estilista francês Yves Saint Laurent.  

Em 1993, Luciana Arrighi recebeu o Oscar de Melhor Direção de Arte pelo filme ‘Howards End’, dirigido por James Ivory. Além disso, foi indicada na mesma categoria por ‘The Remains of the Day’ (1993) e ‘Anna and the King’ (1999), de Andy Tennant. Seu talento também foi reconhecido pelo BAFTA britânico, que lhe concedeu o prêmio de Melhor Direção de Arte pelo telefilme ‘The Gathering Storm’ (2002). 

O trabalho de Arrighi é marcado por uma fusão de precisão histórica e visão artística. Ela se inspira nos contextos culturais e históricos das histórias que ajuda a contar, incorporando sua própria sensibilidade estética. Seu estilo combina realismo com abstração artística, e seus cenários são projetados não apenas para ambientar as narrativas, mas para provocar emoções no espectador. A influência das artes plásticas é evidente em sua abordagem ao uso de cores, luzes e texturas, que frequentemente remetem à pintura e à escultura.  

Embora não tenha lembranças do período em que viveu no Brasil, Luciana Arrighi reconhece o carinho do povo brasileiro e expressa sua gratidão ao país. Apesar de possuir cidadania australiana, ela afirma que seu Oscar é “muito mais brasileiro do que qualquer coisa”. Embora o respeito e a representação sejam bem vindos, o Brasil está na torcida de que logo outros nomes se juntem a Arrighi

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