Outubro está quase ali e com isso já recebemos uma leva de novos filmes de terror. E dessa vez nossa scream queen em formação, Mckenna Grace, retorna (e como essa menina trabalha né) em The Last Kiss, um lançamento da Blumhouse direto para home-video. O filme acompanha Laurel Hansen (Mckenna Grace), uma estudante que sobrevive a um acidente em uma ponte durante uma viagem escolar. O evento tira a vida de Leo, o garoto de quem Laurel gostava, e a deixa com uma habilidade inusitada. Toda vez que ela beija alguém, visões exatas de como a pessoa vai morrer invadem sua mente. Ela usa esse dom para investigar um assassino mascarado que começa a caçar os sobreviventes do acidente, incluindo sua ex-amiga Poppy Yang (Arkira Chantaratananond) e seu novo interesse amoroso Evan Geller (Jaden Michael).

The Last Kiss (2026)

O acidente inicial direciona toda a narrativa e estabelece o trauma dos personagens de forma concreta. Laurel carrega a culpa pela morte de Leo porque o garoto morre empalado por um tronco seco de madeira que ela mesma recolheu na trilha pouco antes do beijo fatal. O roteiro evidencia como essa tragédia impacta no psicológico de cada adolescente e cria a base para o desenrolar da trama, onde Laurel acaba sendo a mais afetada por isso ao desenvolver um grande medo e certa obsessão por acidentes (recorrendo a cursos de primeiros socorros e até mesmo aulas de luta para se proteger e proteger quem ama). Porém isso muda quando ela retorna para a escola depois de um momento sabático, vulgo tratamento psiquiátrico devido ao trauma. Após descobrir seu “dom” beijando o seu novo “crush” (não sei se os jovens usam essa termologia ainda), ela passa a tentar fazer o papel de investigadora onde ela precisa sair beijando os suspeitos para desmascarar quem seria esse futuro assassino. Isso cria cenas hilárias que a colocam na posição de pegadora da escola (sendo que a intenção passa longe de qualquer romance) para conseguir prever os ataques. Essa mistura de humor adolescente com terror acaba sendo de uma criatividade real em um subgênero previsível, estabelecendo a obra como algo que foge do comum, até certo ponto.

O filme acaba tropeçando na própria execução e esbarra em falhas visíveis porque a direção opta por um ritmo apressado. O roteiro abraça furos sem pudor algum. Laurel beija Poppy e enxerga a amiga morrendo de velhice, mas momentos depois a encontra quase morta nas mãos do serial killer. O roteiro “tenta” consertar isso com a descoberta de que a protagonista consegue alterar o destino das pessoas durante o segundo ato, mas ainda me soa como um argumento preguiçoso. O ritmo acelera demais no terceiro ato e revela um assassino bem óbvio. Confesso que descobri a identidade dele logo na primeira aparição dele após a tragédia. Ele explica um plano elaborado no final que apenas me fez questionar se a criatividade dos roteiristas sumiu depois da ideia do “beijo premonitório”. A produção não tem a violência gráfica de um verdadeiro slasher e não chega perto da diversão de Happy Death Day (2017), que é uma boa referência para esse tipo de filme horror e comédia, entregando atuações apenas funcionais para a proposta.

The Last Kiss (2026)

The Last Kiss diverte na medida certa com sua premissa “absurda” e cumpre seu papel como passatempo despretensioso. No geral, o trailer vende exatamente o entretenimento que o estúdio entrega. Basicamente é um filme para assistir às 20h de uma quinta-feira apenas para desligar a mente.