Chris Columbus teve muitos altos e baixos ao longo de sua carreira: alçou franquias como ‘Harry Potter’ criou clássicos como ‘Esqueceram de Mim’, mas também foi incapaz de captar a essência de materiais originais em projetos como ‘Rent’ ou ‘Percy Jackson e o Ladrão de Raios’. Apesar disso, o diretor parece ter reencontrado o que o tornava único, e a prova disso é o filme da Netflix ‘Thursday Murder Club’.
Na trama, ambientada em uma casa de repouso no interior da Inglaterra, a recém-chegada Joyce, uma enfermeira aposentada, conhece um grupo de amigos que se reúne semanalmente para discutir crimes: “O Clube do Crime das Quintas-Feiras”. O grupo é composto pela ex-espiã Elizabeth, pelo psiquiatra Ibrahim e pelo sindicalista Ron. Quando um dos donos da propriedade é misteriosamente assassinado, esses idosos decidem investigar por conta própria em busca de um suspeito.
O filme é charmoso, perfeito para uma tarde livre ou um fim de semana. A direção de Columbus é segura o bastante para não deixar os espectadores excessivamente tensos, mas também se recusa a subestimar o intelecto da audiência, oferecendo reviravoltas envolventes, seja na investigação de um suspeito ou nas descobertas pessoais dos personagens. A trilha sonora de Thomas Newman remete a seus trabalhos anteriores, especialmente para os estúdios Pixar, trazendo uma sensação de leveza e um quê nostálgico. Já o processo dedutivo dos personagens revela vitalidade e inteligência, mostrando como cada um usa suas habilidades de forma singular — quase como uma versão moderna de ‘Assassinato por Escrito’, com ecos de ‘Entre Facas e Segredos’.
Além do mistério, o filme propõe reflexões sobre o envelhecimento e a maneira como a sociedade frequentemente menospreza as vozes da terceira idade. Questões delicadas, como doenças terminais e demência, são tratadas com leveza e sensibilidade, ressaltando os desafios enfrentados por muitos idosos, mas também a força que surge dos laços de amizade e da presença de entes queridos.
O grande pilar do longa está em seu elenco. Helen Mirren exala elegância, mistério e até ternura como a enigmática Elizabeth. Ben Kingsley e Pierce Brosnan oferecem um contraponto mais cômico, sem perder a relevância para o desenrolar da trama. Celia Imrie funciona como elo entre o mundo externo e o clube, enquanto nomes como Richard E. Grant, David Tennant e Jonathan Pryce enriquecem ainda mais a narrativa, subvertendo constantemente as expectativas do público.
Em suma, ‘Thursday Murder Club’ é uma obra que mistura mistério, humor e emoção em doses equilibradas, reafirmando a habilidade de Chris Columbus em criar histórias acessíveis e encantadoras, capazes de entreter e, ao mesmo tempo, provocar reflexão sobre a vida, a amizade e a passagem do tempo.

