Falar sobre a vida e a carreira de Shania Twain é interessante tendo em vista que tanto o country quanto o pop mudaram nestas ultimas décadas e contam uma das histórias mais improváveis  da música popular contemporânea.

Nascida Eilleen Regina Edwards, em 28 de agosto de 1965, em Windsor, Ontário, e criada na pequena cidade de Timmins, no Canadá, Twain cresceu em meio à pobreza extrema e a um ambiente doméstico marcado por instabilidade financeiras e  emocionais. Desde muito jovem, cantava em bares para ajudar a sustentar a família — uma infância que exigiu maturidade precoce e moldou sua determinação artística. . Em 1987, seus pais morreram em um acidente de carro, deixando Shania responsável pelos irmãos mais novos. Ela interrompeu temporariamente seus planos musicais para trabalhar e garantir a estabilidade da família. Esse período, embora doloroso, consolidou sua disciplina .

 

Quando finalmente pôde retomar a carreira, assinou contrato com a Mercury Nashville Records e lançou, em 1993, seu álbum de estreia autointitulado. O disco teve recepção modesta, mas chamou atenção suficiente para que a artista conhecesse o produtor e compositor sul-africano Robert John ‘Mutt’ Lange, conhecido por seu trabalho com bandas de rock como AC/DC e Def Leppard. O encontro mudaria radicalmente o rumo de sua trajetória.

Com Lange, que se tornaria seu marido e parceiro criativo, Shania desenvolveu algo híbrido que fundia country tradicional com pop e rock . O resultado foi “The Woman in Me” (1995), álbum que vendeu mais de 12 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos e projetou Twain ao estrelato internacional. Hits como “Any Man of Mine” e “You’re Still the One” apresentavam uma artista que encarava estereótipos femininos do country de frente: sensual, autoconfiante, irônica e dona de si. Em um gênero frequentemente conservador, Shania impôs uma estética moderna, com videoclipes sofisticados e forte apelo visual, ampliando seu público para além das fronteiras do country.

O ápice viria em 1997 com “Come On Over”, que se tornaria o álbum mais vendido da história por uma artista feminina e o disco country mais vendido de todos os tempos, ultrapassando 40 milhões de cópias no mundo. Canções como “Man! I Feel Like a Woman!” e “That Don’t Impress Me Much” tornaram-se hinos de empoderamento pop, atravessando rádios, pistas de dança e premiações internacionais. Twain  conquistou o mercado norte-americano, além de dominar a Europa, a Ásia e a Oceania. Sua imagem — chapéu, figurinos marcantes,  atitude irreverente e sua interação com cavalos durantes suas turnês— redefiniu o que significava ser uma estrela feminina no gênero. Ela abriu caminho para uma geração posterior de cantoras que transitariam com naturalidade entre country e pop.

Entretanto, o sucesso massivo trouxe também desafios pessoais . Em meados dos anos 2000, Shania foi diagnosticada com disfonia causada pela doença de Lyme, que afetou gravemente suas cordas vocais. A artista praticamente perdeu a capacidade de cantar como antes. Ao mesmo tempo, seu casamento com Mutt Lange terminou em 2008 após a revelação de uma traição envolvendo uma amiga próxima do casal. A crise emocional e física parecia ameaçar definitivamente sua carreira.

Mas foi em 2012 que Shania surpreendeu a todos a iniciar uma série de shows de sucesso em Las Vegas, demonstrando que, mesmo com limitações vocais, sua presença de palco permanecia intacta. Após anos longe dos estúdios, lançou “Now” em 2017, seu primeiro álbum sem a colaboração de Lange. 

Ao longo da carreira, Shania Twain acumulou cinco prêmios Grammy, dezenas de troféus da indústria country e mais de 100 milhões de discos vendidos mundialmente.  Sua importância ultrapassa números: Ela redefiniu a linguagem visual e sonora do country contemporâneo, incorporando elementos de moda, teatralidade e produção pop em larga escala. Artistas como Taylor Swift, Carrie Underwood e Kelsea Ballerini frequentemente reconhecem sua influência direta. Shania provou que o country podia dialogar com o mainstream global sem perder identidade — e que mulheres poderiam ocupar o centro dessa transformação.

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