O dia 3 de outubro chegou, e com ele um novo capítulo na discografia de Taylor Swift. A chegada do álbum levanta uma questão imediata: seria este um sucessor espiritual e melódico de sua obra de 2014, o aclamado 1989? A expectativa se justifica pela produção, que novamente conta com a colaboração de Max Martin e Shellback. Hoje iremos destrinchar cada faixa e mergulhar fundo no universo que nossa Showgirl favorita acaba de nos proporcionar.

1. The Fate of Ophelia

Com uma letra completamente viciante e uma melodia voltada ao pop dos anos 80, a faixa de estreia e lead single do álbum já chega quebrando tudo. A imersão na realidade que ela nos proporciona nessa narrativa é algo que abraça toda a estética do álbum e já seta uma atmosfera que irá perdurar durante toda a obra. Esse pop viciante sobre um amor viciante, controlador e ao mesmo tempo libertador (confuso, não?), é algo que engaja e coloca todos os ouvintes no tom certo para seguir com o glamour e o champanhe que nos é prometido desde a divulgação de sua estética. De todos os álbuns, esse é a melhor track 01 que poderíamos receber: forte, potente e controladora de narrativas.

2. Elizabeth Taylor

A mistura de tonalidades aqui com o fator histórico e a própria colocação como uma showgirl visando os relacionamentos passados é algo que pulsa. Em meio a uma batida pesada, ela disserta sobre todas as desilusões e todas as promessas quebradas de sua vida, na qual ela se insere em um contraste com a alusão da própria Elizabeth Taylor. A faixa vai crescendo aos poucos até chegar no seu ápice… A partir daí, a melancolia some e a obsessão junto com as dúvidas tomam lugar em um bop carregado. A música consegue aprofundar ainda mais as nuances da narrativa proposta, além de ser extremamente contagiante (mesmo com as nuances mais pesadas). Essa é com certeza a sucessora de I Know Places.

3. Opalite

Uma balada pop que poderia facilmente ser a trilha sonora de uma noite na vida de Carrie Bradshaw em Sex and the City. A faixa combina elementos dos anos 80 e 90 de forma a cativar o ouvinte. Embora a letra não esteja entre as mais complexas do álbum, sua melodia dançante a torna uma das mais leves e fluidas, convidando ao movimento desde os primeiros segundos.

4. Father Figure

Em meio a um roast muito bem planejado pela nossa showgirl favorita para uma pessoa específica da indústria musical que teve a posse de suas músicas de forma vil. Em meio a melodia de Father Figure do George Michael interpolada, a exibição do furacão que ela é se torna evidente e contrasta muito com o que conhecemos no álbum Reputation. Alguém vai ter um ataque quando escutar.

5. Eldest Daughter

Uma faixa que parece dialogar diretamente com a melancolia de The Tortured Poets Department (TTPD). Com uma melodia introspectiva e versos que permanecem na mente, a canção se distancia do restante do álbum. Sua profundidade pode ser comparada a Clean, mas com uma carga emocional distinta. Para quem busca uma experiência mais emotiva, esta é a música do álbum para se ouvir 0n repeat.

6. Ruin the Friendship

Letra simples, melodia fofa e leve, porém nada além do padrão. Confesso que essa é um skip para mim. Ela não engaja muito, não cresce no ouvinte e fica muito na mesmice. Lembra um pouco o debut, porém maduro. Quem gosta de musicas leves, essa vai ser um prato cheio.

7. Actually Romantic

Outro roast da loirinha. Em meio a uma balada bem pop com um instrumental que grita animação de ensino médio, sua letra corta que nem uma faca… Mas com certa simpatia. É bobinha? É, mas não deixa de ser divertida. (Abaixem as tochas e os forcados. Elas que estão brigando a toa, estamos apenas apreciando o show).

8. Wi$t

Uma faixa divertida, singela e que fala sobre expectativas alheias em comparação ao desejo da estrela. É um pop suave, envolvente e que critica diversas coisas da indústria ao mesmo tempo que enaltece o posicionamento da showgirl como pessoa, não como alguém alheio a sociedade. Tem certa profundidade, mas só isso mesmo.

9. Wood

Uma das melhores faixas do álbum. A interpolação do clássico “I Want You Back”, do Jackson 5, com uma letra que parece inspirada em algo que saiu do “Man’s Best Friend”, de Sabrina Carpenter, resultando em uma faixa divertida, inusitada e completamente dúbia sobre o sentido que devemos atrelar a ela (a geladeira Brastemp dela que o diga!), transbordando a energia de Sex and the City de uma forma cativante.

10. CANCELLED!

Viciante, envolvente e provocadora. Remete muito ao rock dos anos 90 e traz de volta a era Reputation com força. Me senti a própria Madison de American Horror Story: Coven escutando essa faixa. A mensagem a ser passada e seu alvo ficam claros, então a bomba vai explodir em breve. Sei lá, rumores apontam para uma certa garota do blog.

11. Honey

Uma faixa apaixonada que, mais uma vez, parece ter saído de Sex and the City. A letra pode ser controversa para alguns, mas se encaixa no contexto atual da vida da artista. Embora a composição seja delicada e a melodia suave, ela pode parecer um pouco deslocada após a intensidade de faixas como Elizabeth Taylor.

12. The Life of a Showgirl (feat. Sabrina Carpenter)

Esta colaboração funciona como uma versão menos melancólica de Clara Bow misturada com You’re On Your Own, Kid. A melodia é crescente, e a narrativa reflete sobre as carreiras de ambas as artistas sob a ótica do que significa ser uma showgirl. A letra pontua os altos e baixos dessa vida, com uma sonoridade que mistura o glamour dos anos 20 a um toque country. A distribuição vocal é equilibrada e proporciona um fechamento coeso e emocionante para o álbum.


O álbum promove uma experiência ao mesmo tempo exuberante e íntima sobre o estrelato. Ele comete alguns deslizes em faixas como Ruin the Friendship e Actually Romantic, mas consegue manter uma narrativa coesa sobre os bastidores da vida de uma showgirl, indo dos holofotes a momentos mais pessoais. Embora talvez não seja o melhor trabalho de sua carreira, ele tem o poder de reacender a energia que TTPD havia suavizado com sua melancolia.

Como Swift reflete na carta que acompanha o disco, esta obra espelha as facetas da fama, um mosaico de risadas e drinks de lágrimas. E na minha opinião, ao final, todo esse custo valeu cada centavo. Escute The Life of a Showgirl em sua plataforma de streaming favorita!