Quando a primeira temporada de “American Horror Story” foi lançada, em 2011, espectadores se viram envolvidos na história desenvolvida pelo californiano Ryan Murphy. Apelidada por fãs de “Murder House”, a narrativa envolveu terror e suspense enquanto uma escuridão específica assola uma família repleta de problemas internos. O elenco forte, liderado pela veterana Jessica Lange, se mostrou essencial para o sucesso da produção.

Doze anos se passaram desde que nos deparamos pela primeira vez com a casa dos assassinatos. Com isso tivemos mais doze temporadas ao longo desses anos, e todas apresentam diferentes níveis de qualidade. Durante os primeiros anos de AHS, a fórmula foi a mesma. A narrativa recheada de suspenses sem qualquer ligação com a temporada anterior, um elenco fixo interpretando uma variedade de personagens exóticos e, na grande maioria das vezes, um elemento sobrenatural para completar a História. Temporadas como Asylum, Coven e Freakshow são sempre colocadas e consideradas como o ápice criativo da produção, mesmo que essas tenham suas falhas e/ou problemas narrativos, apresentando personagens diferentes e comentários sociais relevantes 

A série tambem serviu como porta de entrada, para gerações mais jovens, a talentos que já haviam perdido espaço em Hollywood, como Jessica Lange, Kathy Bates, Frances Conroy, Joan Collins, Angela Bassett e Gabourey Sidibe. Ao mesmo tempo, novos nomes conquistaram visibilidade com atuações consistentes e performances marcantes, entre eles Taissa Farmiga, Lady Gaga, Lily Rabe, Angelica Ross, Billie Lourd, Adina Porter e Leslie Grossman. Na temporada mais recente, até mesmo a presença da socialite e empresária Kim Kardashian surpreendeu ao se revelar uma performance inesperada.

As participações especiais também pegaram muitos de surpresa. Fãs de séries como ‘Modern Family’ e ‘This Is Us’ se viram diante de rostos inesperados, em aparições que variaram do inusitado ao extravagante. Entre os nomes que já passaram pelo universo de ‘American Horror Story’ estão Adam Levine, Naomi Campbell e Darren Criss, cujas presenças ajudaram a manter a aura de espetáculo midiático que a produção sempre cultivou.

A partir da quinta temporada, conhecida como ‘Hotel’, a série passou a investir mais no desenvolvimento do próprio universo do que em narrativas independentes e autossuficientes. Questões como “e se uma pessoa infectada com um parasita vampírico bebesse o sangue de uma bruxa?”, “qual seria a ligação da primeira Suprema com a comunidade perdida de Roanoke?” ou “o que aconteceria se personagens-chave da primeira e da terceira temporada se encontrassem?” começaram a surgir. Esses cruzamentos, porém, acabaram resultando em momentos aleatórios e, muitas vezes, frustrantes para parte dos fãs.

Apesar de ainda preservar um apelo visual marcante e uma atmosfera sobrenatural envolvente, a série, como toda produção prolongada, começou a sofrer queda de qualidade. A fórmula de ‘American Horror Story’ já se mostrava saturada e excessivamente explorada. Muitos atores do elenco fixo decidiram deixar o projeto em busca de novos desafios, entre eles Sarah Paulson e Evan Peters, que se despediram após a 11° temporada.

Com a entrada de novos integrantes no elenco, a produção passou por altos e baixos que refletiam, de certa forma, as próprias transformações do mundo. Após a recepção mista da décima temporada — adiada em razão da pandemia de Covid-19 — Ryan Murphy e sua equipe decidiram reduzir a escala da narrativa em ‘AHS: NYC’: menos personagens principais, menos conflitos, um forte comentário social e uma ambiguidade marcante em relação aos elementos sobrenaturais da trama.

Já a temporada mais recente, ‘AHS: Delicate’, foi a primeira a se basear em uma obra pré-existente. A produção, no entanto, acabou adiada pela greve do Sindicato dos Atores de Hollywood. A série foi descrita como uma releitura feminista do clássico do terror ‘O Bebê de Rosemary”, propondo uma abordagem contemporânea para um enredo consagrado.

A mudança do público principal pode ser um dos fatores para o declínio da série, que se popularizou no auge do que ficou conhecido como ‘a glamourização da tristeza’. Os primeiros fãs da série, que suspiravam com a imagem de Evan Peters em um suéter verde e uma peruca loira ou que clamavam que ‘o amor entre uma suicida e um psicopata é o mais verdadeiro de todos’ (não, eu não vou falar mais sobre) eventualmente perderam o interesse na produção, que não procurou se aprimorar ou ‘crescer’ junto com seu público. No momento que as ‘sad girls do Tumblr‘ abandonaram suas camisas de ‘pessoas normais me assustam‘ , a série perdeu um dos principais pilares que garantia seu sucesso.

Se American Horror Story vai durar muito tempo, é incerto de se dizer. Mas não se pode negar a vitalidade da produção de Murphy, que contra todas as expectativas, trouxe nomes esquecidos a tona e apresentou uma nova geração de atores com oportunidades diferentes.

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