Poucos musicais conseguem abordar tantas temáticas quanto o clássico ‘A Noviça Rebelde’. A história da noviça errante que se torna governanta de sete crianças e devolve a alegria e a música a uma família rígida encanta gerações há décadas. Em 2025, o filme completa 60 anos desde seu lançamento. Estrelado por Julie Andrews e Christopher Plummer, o longa é baseado no musical da Broadway de Rodgers e Hammerstein, que, por sua vez, se inspira nas memórias de Maria von Trapp. 

Na Áustria da década de 1930, Maria vive em um convento, onde sua personalidade vibrante e seu amor pela música frequentemente causam problemas. Para testá-la, a Madre Superiora a envia como governanta dos filhos do rígido Capitão Georg von Trapp, um viúvo que impõe disciplina militar aos herdeiros. A chegada de Maria transforma a casa: ela ensina as crianças a cantar, devolvendo-lhes a alegria e despertando, aos poucos, o coração do Capitão. No entanto, a felicidade recém-descoberta é ameaçada quando a Alemanha nazista anexa a Áustria, forçando a família von Trapp a tomar uma difícil decisão. 

Para muitos, ‘A Noviça Rebelde’representou o renascimento do gênero musical, consolidando o sucesso iniciado por ‘My Fair Lady’ e ‘Mary Poppins’ no ano anterior. A adaptação do musical da Broadway foi um fenômeno de bilheteria e crítica, conquistando cinco Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor para Robert Wise. O longa também solidificou a carreira cinematográfica de Julie Andrews, até então associada aos papéis de Eliza Doolittle e Mary Poppins. Seis décadas dedepois’ A Noviça Rebelde’ segue como um dos filmes mais icônicos da história do cinema. 

A direção de Wise conduz a trama com maestria, equilibrando momentos de humor, romance e tensão. A felicidade das crianças von Trapp é simbolizada pelas canções que ensinam o básico da composição musical e, ao mesmo tempo, encantam o público. O filme se destaca pela ausência de um antagonista concreto até seu terceiro ato, priorizando o desenvolvimento da relação entre Maria e a família antes de apresentar o conflito político. Contudo, por trás do conforto proporcionado por sua narrativa, ‘A Noviça Rebelde’ também carrega um forte tema de resistência – seja no embate entre emoção e razão dentro do Capitão von Trapp ou na recusa da família em se submeter ao regime nazista. A canção ‘Edelweiss’, nesse contexto, se torna um hino de patriotismo diante da opressão. 

Diferente de Mary Poppins, uma personagem cercada por magia, Fraulein Maria conquista o público com sua energia contagiante e espontaneidade, tornando-se inesquecível. Julie Andrews brilha no papel, trazendo leveza e autenticidade à personagem, enquanto Christopher Plummer, apesar de ter expressado descontentamento com o filme, entrega uma interpretação sensível do Capitão, revelando gradualmente seu lado mais afetuoso. Além do casal protagonista, Charmian Carr se destaca como Liesl, a primogênita von Trapp, e Peggy Wood emociona no papel da sábia Madre Superiora. 

Ao longo de 60 anos, ‘A Noviça Rebelde’ permaneceu no imaginário coletivo como um dos musicais mais queridos de todos os tempos. Com uma trilha sonora inesquecível, performances cativantes e uma mensagem atemporal de amor, esperança e coragem, o filme segue encantando novas gerações, provando que algumas histórias nunca perdem seu encanto.