Provavelmente um dos filmes mais importantes da Disney, “Cinderela” marcou a história do estúdio, do cinema e da animação. Lançada em um momento de incerteza para a produtora, a história da gata borralheira salvou o estúdio de Walt Disney, trazendo elegância ao gênero de animação e se consolidando como um clássico influente, com uma mensagem atemporal. Na onda de readaptações de seus filmes mais icônicos, a Disney lançou uma nova versão de “Cinderella” em 2015, sob a direção de Kenneth Branagh.
Considerando o impacto do filme original na história da Disney e no cinema subsequente, não há dúvidas de que, mais de 70 anos depois, os icônicos sapatinhos de cristal ainda são lembrados e queridos por muitos.
Mesmo dispensando apresentações, ‘Cinderela’ conta a história de uma órfã transformada em empregada pela madrasta e suas irmãs postiças, Anastasia e Drizella Tremainr. Quando todas as moças solteiras do reino são convidadas para um baile real, suas tentativas de participar são destruídas por Drizella e Anastasia. No entanto, Cinderela recebe uma segunda chance de ter uma noite de magia com a ajuda de sua Fada Madrinha. Após conquistar o coração do Príncipe Encantado, ela vê seus sonhos se tornarem realidade diante de seus olhos.
O futuro dos Estúdios Disney após a Segunda Guerra Mundial parecia incerto, devido a uma década de baixos lucros e crises internas. Foi a adaptação do conto de fadas de Charles Perrault que mudou os rumos do estúdio, tornando-se o maior sucesso de Walt desde ‘Branca de Neve e os Sete Anões’. O filme também marcou o retorno das animações de longa-metragem da Disney, que não lançava uma desde ‘Bambi’, em 1942. Apesar de sempre ter preferido a fábula do cervo órfão, Walt Disney nunca escondeu que ‘Cinderela’ continha alguns dos seus momentos de animação favoritos.
Embora discussões contemporâneas frequentemente considerem a protagonista, dublada por Ilene Woods, como uma “dama indefesa”, Cinderela é um símbolo de resiliência, humildade e força, mantendo um caráter piedoso diante das adversidades. Enquanto o live-action enfatiza a fé de Ella, a animação original destaca sua humanidade e como a leveza pode florescer mesmo em um mundo hostil. A Fada Madrinha pode ter demorado a transformar seus sonhos em realidade, mas Cinderela era uma jovem determinada, que buscava enxergar o lado bom da vida. Da mesma forma, o filme inovou ao criar um novo tipo de vilã, que não precisava de superpoderes para ser traiçoeira.
A animação de 1950 tentou replicar o sucesso de ‘Branca de Neve’, apostando em canções cativantes, um toque de magia e humor, além de redefinir a percepção do público sobre filmes animados. Apesar de ter sido lançado há quase oito décadas, Cinderela’ continua sendo uma das histórias mais populares do estúdio.
O live-action de Kenneth Branagh teve a missão de modernizar uma história atemporal e justificar sua existência — além da constante busca por lucros da Disney — acrescentando mais profundidade a todos os personagens principais. Esse aprofundamento foi bem-vindo em diversos momentos. O filme não teve medo de inovar, mas soube prestar tributo à magia do clássico animado.
A animação de ‘Cinderela’ (1950) e sua adaptação de 2015 são obras que não apenas contam uma história envolvente, mas também exploram temas universais como bondade, justiça, amor e transformação. Sua estética e personagens são inesquecíveis, e o filme segue como uma das produções mais importantes da história do cinema e da animação.