A eleição de um novo Papa é um momento que atrai a atenção do mundo inteiro para o Vaticano, carregado de apreensão e curiosidade. O processo, que pode durar dias, está envolto em segredos e mistérios, culminando na escolha de um dos cardeais para ocupar o trono de São Pedro. O diretor Edward Berger, conhecido pelo premiado “Nada de Novo no Front”, transforma esse evento em um thriller de suspense, onde a Capela Sistina se torna um labirinto que guarda segredos capazes de desestabilizar a Igreja Católica.
Após a morte inesperada do Papa, o Cardeal Lawrence é encarregado de conduzir o ritual secreto e milenar da eleição de um novo Pontífice: o Conclave. Isolado no Vaticano com os líderes mais poderosos da Igreja até a conclusão do processo, Lawrence se vê no epicentro de uma conspiração que pode precipitar sua queda e fragmentar irreparavelmente a instituição. Escândalos, corrupções e segredos do falecido Pontífice transformam a eleição em uma verdadeira guerra, na qual Lawrence deve escolher cuidadosamente o lado que apoiará.
Baseado no best-seller de Robert Harris, o longa explora o embate entre as alas liberais e conservadoras da Igreja, configurando-se mais como um drama político do que propriamente religioso. Questões de raça, gênero e igualdade emergem nos discursos da ala progressista, enquanto os conservadores, liderados pelo Cardeal Goffredo Toledo, buscam restaurar os dias de glória do clero, ainda que isso signifique desfazer muitos avanços alcançados no Vaticano durante o século XX.
A eleição de um novo Santo Padre se desdobra como um suspense que revela as corrupções internas da Igreja e as intrigas dos cardeais envolvidos em diferentes esquemas. A presença discreta, mas crucial, das irmãs religiosas, lideradas pela vigilante Irmã Agnes, adiciona uma camada de profundidade à trama. Quando o Conclave chega ao fim, muitos mistérios permanecem sem solução, mas o roteiro entrega um desfecho que combina drama político com uma sensação de fé restaurada em diversos âmbitos.
O elenco é liderado por Ralph Fiennes, que interpreta um cardeal em conflito com sua própria fé, determinado a não desestabilizar o processo religioso. Stanley Tucci, John Lithgow, Sergio Castellitto e Carlos Diez interpretam diferentes facetas do clero em papéis coadjuvantes que pressionam o Cardeal Lawrence e intrigam a audiência. Isabella Rossellini brilha como Irmã Agnes, uma freira que observa atentamente a corrupção do clero e a forma como o poder papal muitas vezes destrói a humanidade dos religiosos.
Visualmente, o filme é um espetáculo. Edward Berger utiliza cores como branco, vermelho e preto para transmitir sensações de claustrofobia, mesmo em cenários amplos. O universo retratado transforma cardeais, homens de idade e maior poder intelectual que físico, em figuras perigosas. Poucos buscam o papado pelo bem comum; a maioria visa apenas o próprio benefício.
Semelhante a “Anjos e Demônios”, “Conclave” se apresenta como um suspense ambientado no Vaticano, prometendo ser um dos favoritos na temporada de premiações. Com um elenco brilhante, reviravoltas intrigantes e uma narrativa que expõe os segredos até mesmo da mais sagrada das instituições, o filme entrega um drama intenso e impactante.