Ryan Murphy, antes de revisitar a vida de serial killers infames, foi responsável por estabelecer uma das antologias mais populares da televisão: American Horror Story. Dominando boa parte da década de 2010, a série também serviu como principal veículo para que nomes como Sarah Paulson e Evan Peters demonstrassem todo o seu talento e versatilidade ao interpretar personagens completamente diferentes a cada temporada. Em mais de dez anos de produção, tivemos altos e baixos em diferentes níveis, seja na qualidade narrativa, seja na popularidade entre o público.

Em celebração à 13ª temporada da série, que promete reunir alguns dos personagens mais populares de sua história, o Cafeína Colorida reuniu as 12 temporadas já lançadas e elaborou um ranking a partir das opiniões de membros, seguidores e leitores assíduos. Hoje, vamos revisitar mais de uma década de produção, partindo da pior temporada até chegar àquela que ocupa o primeiro lugar.

12 — Double Feature

Programada para ser lançada em 2020, mas adiada devido ao início da pandemia de COVID-19, Double Feature foi a décima temporada da série e marcou uma mudança significativa em sua estrutura. Dividida em duas histórias completamente diferentes, a temporada apresenta, em Red Tide, uma droga capaz de potencializar o talento artístico de seus usuários, mas que cobra um preço terrível em uma pequena cidade à beira-mar. Já Death Valley mergulha em teorias da conspiração envolvendo alienígenas, experimentos secretos e quatro jovens que acabam envolvidos em uma trama de reprodução extraterrestre.

Se os primeiros episódios de Red Tide traziam certa promessa, a temporada aos poucos se transforma em uma verdadeira bagunça narrativa. A conclusão do primeiro arco é apressada, enquanto Death Valley parece pertencer a uma série completamente diferente. O resultado está entre os projetos mais irregulares da trajetória de Ryan Murphy.

Também é impossível ignorar a sensação de perda de identidade. Depois de anos contando com nomes que ajudaram a estabelecer a franquia, como Frances Conroy e Sarah Paulson, Double Feature aposta em um elenco renovado, mas nem sempre consegue aproveitar adequadamente seus talentos. A tentativa de misturar teorias da conspiração, extraterrestres, política e até figuras históricas como Mamie Eisenhower resulta em uma temporada que possui boas ideias, mas raramente sabe o que fazer com elas.

11 — Delicate

Baseada no livro Delicate Condition, de Danielle Valentine, Delicate é a 12ª temporada de American Horror Story e aposta novamente no horror psicológico. Inspirada pelo terror gestacional clássico de O Bebê de Rosemary, a história acompanha Anna, uma atriz que está no auge de sua carreira e na corrida pelo Oscar enquanto tenta iniciar uma família.

Entretanto, à medida que a gravidez avança, Anna começa a perceber que há algo errado ao seu redor. Pessoas desaparecem, acontecimentos inexplicáveis se acumulam e a protagonista passa a questionar se aquilo que está vivendo realmente está acontecendo ou se tudo não passa de uma manifestação de sua própria mente.

Interrompida pela greve dos roteiristas de Hollywood em 2023 e retomada apenas em 2024, Delicate apresenta uma atmosfera interessante e uma proposta que poderia ter rendido muito mais. O problema está justamente em sua execução. A temporada começa criando mistérios interessantes, mas perde força conforme se aproxima do final, culminando em episódios apressados e pouco desenvolvidos.

A temporada também marcou a primeira grande contribuição de Kim Kardashian ao universo de American Horror Story. Sua escalação gerou controvérsia e sua atuação dividiu opiniões, mas, para surpresa de muitos, Kardashian acabou entregando uma performance mais competente do que parte do público esperava.

10 — Apocalypse

Conhecida como a “temporada crossover”, Apocalypse marca o retorno de diversos personagens clássicos dos anos de maior popularidade da série. Ao mesmo tempo, acompanhamos Michael Langdon, o Anticristo, em sua tentativa de destruir a humanidade e cumprir o destino anunciado desde Murder House.

A temporada começa em um cenário pós-apocalíptico, antes de utilizar flashbacks para explicar como aquele mundo chegou à situação apresentada. Aos poucos, a narrativa passa a revisitar acontecimentos e personagens de temporadas anteriores, especialmente de Murder House e Coven.

E é justamente aí que Apocalypse encontra sua maior força e sua maior fraqueza. É extremamente divertido rever personagens conhecidos, cenários que não eram visitados havia anos e descobrir novas conexões dentro da mitologia da série. O retorno de Jessica Lange como Constance Langdon, por exemplo, é um dos grandes momentos da temporada.

Por outro lado, a tentativa de responder a tantas perguntas acaba criando outras ainda mais confusas. A história se perde entre viagens no tempo, paradoxos e explicações pouco convincentes. Cody Fern apresenta um ótimo desempenho como Michael Langdon, mas o personagem acaba sendo prejudicado por um roteiro que nem sempre sabe como utilizá-lo.

9 — NYC

Ambientada durante os anos 1980 e mergulhando na cultura gay de Nova York antes e durante o início da epidemia de madonna-e-a-epidemia-de-aids-uma-reflexao-sobre-politica-celebridades-e-saude-publica/”>AIDS, AHS: NYC surpreendeu muitos espectadores ao apresentar uma abordagem visual completamente diferente daquela à qual a franquia havia se acostumado.

A temporada acompanha uma série de misteriosos desaparecimentos e assassinatos de homens gays enquanto um vírus desconhecido começa a se espalhar pela comunidade. Paralelamente, uma figura mascarada conhecida como Big Daddy passa a perseguir os personagens, funcionando tanto como ameaça quanto como representação simbólica de uma realidade muito maior.

NYC abraça um novo elenco, uma nova estética e uma narrativa profundamente influenciada pela cultura queer e pelo universo sadomasoquista. A temporada também tenta abordar o medo, o preconceito e a devastação provocada pela epidemia de AIDS.

Existe uma ótima ideia em NYC, e sua execução é surpreendentemente madura em diversos momentos. Entretanto, como costuma acontecer em American Horror Story, ideias demais são colocadas sobre a mesa e nem todas recebem o desenvolvimento necessário. A temporada possui momentos brilhantes, mas termina deixando a sensação de que poderia ter sido ainda mais poderosa.

8 — Roanoke

Vista por muitos como uma das temporadas mais inventivas de American Horror Story, Roanoke brinca com a linguagem dos documentários de crimes reais e dos programas de televisão sobre acontecimentos sobrenaturais. A história acompanha uma família que se muda para uma casa isolada na Carolina do Norte e passa a ser atormentada por forças sobrenaturais ligadas à lendária colônia perdida de Roanoke.

A grande diferença está na estrutura. Inicialmente, acompanhamos os acontecimentos por meio de entrevistas e reconstituições dramatizadas. Depois, atores e sobreviventes passam a interagir diretamente, transformando a narrativa em algo cada vez mais caótico.

Roanoke costuma ser lembrada como uma das temporadas menos populares da franquia, mas também funciona como uma das experiências mais brutais de toda a série. As atuações de Sarah Paulson, Adina Porter e Kathy Bates são alguns dos grandes destaques, enquanto a temporada mergulha em sacrifícios, bruxaria, canibalismo e violência de maneira muito mais direta do que suas antecessoras.

É uma temporada que não tenta agradar a todos e justamente por isso permanece como uma das experiências mais particulares de American Horror Story.

7 — Cult

Alienação política, palhaços, paranoia e Donald Trump se unem em American Horror Story: Cult, temporada que decidiu abandonar fantasmas, bruxas e monstros sobrenaturais para explorar alguns dos horrores mais reais da sociedade contemporânea.

A história começa após a eleição presidencial norte-americana de 2016 e acompanha Ally, uma mulher cuja vida começa a desmoronar à medida que seus medos e fobias são manipulados por um grupo extremista liderado por Kai Anderson. O que inicialmente parece ser apenas uma reação política transforma-se gradualmente em uma história sobre manipulação, radicalização e poder.

Cult é uma das temporadas mais explicitamente políticas da série e, justamente por isso, também uma das mais divisivas. O roteiro tenta discutir a polarização social, o extremismo e a maneira como o medo pode ser utilizado para controlar pessoas.

Evan Peters é o grande destaque da temporada, interpretando diferentes figuras ligadas à violência política e, principalmente, o perturbador Kai Anderson. Sarah Paulson também entrega uma atuação intensa como Ally, acompanhando a transformação de sua personagem ao longo dos episódios.

Apesar de alguns excessos e de uma narrativa que eventualmente se torna repetitiva, Cult consegue utilizar o horror como uma ferramenta para discutir acontecimentos muito concretos da realidade.

6 — 1984

Depois de anos explorando casas mal-assombradas, hospitais psiquiátricos, bruxas, hotéis e cultos, American Horror Story decidiu voltar às raízes do terror slasher em 1984.

Ambientada em um acampamento de verão, a temporada acompanha um grupo de jovens que decide trabalhar no Camp Redwood, local marcado por um massacre ocorrido anos antes. O que começa como uma história relativamente tradicional de assassino mascarado rapidamente se transforma em uma narrativa recheada de fantasmas, vingança, serial killers e reviravoltas.

1984 funciona especialmente bem porque entende exatamente o tipo de história que deseja contar. A estética dos filmes de terror dos anos 1980 é explorada com entusiasmo, desde os figurinos até a fotografia e a trilha sonora. A temporada também consegue equilibrar violência, humor e elementos sobrenaturais sem abandonar completamente sua identidade.

Outro ponto interessante é a ausência de alguns dos rostos mais tradicionais da franquia. Pela primeira vez em anos, a série demonstra que consegue sobreviver sem depender exclusivamente de Sarah Paulson, Evan Peters ou Jessica Lange.

Pode não possuir a profundidade de algumas temporadas anteriores, mas 1984 é divertida, estilosa e extremamente consciente do gênero que está homenageando.

5 — Hotel

Luxo, decadência, sangue e morte encontram-se no Hotel Cortez, cenário da quinta temporada de American Horror Story.

Hotel acompanha diferentes personagens conectados ao misterioso estabelecimento, entre eles a Condessa, interpretada por Lady Gaga, uma mulher vampírica que mantém o hotel sob seu domínio enquanto se envolve em uma série de assassinatos e relações marcadas por obsessão, desejo e violência.

Visualmente, poucas temporadas de American Horror Story são tão impressionantes quanto Hotel. A produção abraça completamente o excesso, transformando o Cortez em um personagem por si só. Corredores intermináveis, quartos decadentes, festas grotescas e figuras monstruosas compõem uma das atmosferas mais marcantes da franquia.

A temporada também ficou marcada pela chegada de Lady Gaga ao elenco, que venceu o Globo de Ouro por sua atuação como a Condessa. Apesar de a narrativa apresentar alguns problemas de ritmo e excesso de subtramas, Hotel possui uma identidade visual tão forte que continua sendo uma das temporadas mais reconhecíveis da série.

É American Horror Story em sua forma mais extravagante: exagerada, sangrenta e completamente obcecada pela beleza do grotesco.

4 —Murder House

Antes de bruxas, vampiros, palhaços, hotéis assombrados, cultos e apocalipses, existia apenas uma casa.

Lançada em 2011, Murder House apresentou ao público a proposta de American Horror Story: uma história independente, um novo conjunto de personagens e um universo completamente diferente a cada temporada. A trama acompanha a família Harmon, que se muda para uma antiga mansão em Los Angeles sem saber que a casa guarda décadas de histórias violentas e sobrenaturais.

O grande mérito de Murder House está justamente em sua simplicidade. A temporada consegue combinar fantasmas, assassinatos, violência doméstica, traição, abuso, gravidez, fanatismo e tragédia familiar em uma única narrativa.

Jessica Lange surge como Constance Langdon e imediatamente se transforma em um dos grandes símbolos da franquia. Evan Peters encontra em Tate Langdon um de seus personagens mais marcantes, enquanto Sarah Paulson, Frances Conroy e Denis O’Hare ajudam a construir uma mitologia que seria revisitada inúmeras vezes nos anos seguintes.

Mais do que apresentar uma boa história de terror, Murder House estabeleceu a identidade de American Horror Story. Foi aqui que Ryan Murphy encontrou a fórmula que permitiria à série sobreviver por mais de uma década: personagens exagerados, atores recorrentes, histórias independentes e uma mistura quase ilimitada de horror, drama e melodrama.

3 — Freak Show

Em 1952, uma companhia de circo formada por pessoas consideradas “aberrações” chega à pequena cidade de Jupiter, na Flórida. Liderados por Elsa Mars, os integrantes do espetáculo tentam sobreviver em uma sociedade que os rejeita enquanto enfrentam novos perigos.

Freak Show é uma das temporadas mais melancólicas de American Horror Story. Por trás de seus assassinatos e de seus elementos sobrenaturais, existe uma discussão constante sobre exclusão, exploração, preconceito e a necessidade humana de pertencer a algum lugar.

Jessica Lange, Sarah Paulson, Evan Peters, Kathy Bates e Angela Bassett estão entre os nomes que ajudam a sustentar a temporada. Paulson, em especial, protagoniza uma das performances mais memoráveis da franquia ao interpretar as irmãs siamesas Bette e Dot Tattler.

Ao mesmo tempo, Freak Show apresenta uma de suas histórias mais perturbadoras com Twisty, o palhaço assassino, que rapidamente se tornou um dos personagens mais reconhecíveis da série.

Apesar de sofrer com algumas subtramas que poderiam ter sido melhor desenvolvidas, Freak Show possui uma identidade própria e uma atmosfera que permanece na memória muito depois do encerramento da temporada.

2- Coven

Bruxas, magia, rivalidades e uma boa dose de glamour transformaram Coven em uma das temporadas mais populares de American Horror Story.

A história acompanha um grupo de jovens bruxas que vive escondido em Nova Orleans enquanto tenta sobreviver às disputas internas da própria comunidade e aos conflitos com inimigos externos. No centro de tudo está a disputa pelo título de Suprema, a bruxa mais poderosa de sua geração.

Se existe uma palavra capaz de definir Coven, é estilo. A temporada possui alguns dos figurinos mais memoráveis da franquia, uma ambientação extremamente característica e personagens que rapidamente conquistaram o público.

Jessica Lange, Sarah Paulson, Emma Roberts, Lily Rabe, Angela Bassett e Kathy Bates formam um dos elencos mais fortes da história da série. Além disso, Coven conseguiu transformar personagens femininas complexas e moralmente questionáveis em alguns dos maiores ícones da franquia.

A temporada também estabeleceu conexões importantes com a mitologia de American Horror Story, principalmente através de personagens que retornariam anos depois em Apocalypse.

Mesmo com alguns problemas narrativos, Coven continua sendo uma das temporadas mais populares e influentes da série.

1 — Asylum

Se Murder House apresentou ao público o universo de American Horror Story, Asylum mostrou até onde a série poderia chegar.

Ambientada em 1964, a temporada acompanha os acontecimentos dentro do Briarcliff Manor, uma instituição psiquiátrica comandada pela Igreja Católica. Entre pacientes, freiras, médicos e jornalistas, a temporada aborda temas como abuso institucional, fanatismo religioso, homofobia, violência, extraterrestres e a própria natureza da loucura.

Sarah Paulson, Jessica Lange, Evan Peters, Lily Rabe e James Cromwell entregam algumas das melhores atuações da história da série. A Irmã Jude, interpretada por Lange, é especialmente marcante, passando de uma autoridade religiosa extremamente rígida a uma mulher destruída pelas próprias escolhas.

Asylum também é provavelmente uma das temporadas mais ambiciosas da franquia. Em vez de depender de uma única ameaça, a história apresenta diversos horrores simultaneamente e consegue fazer com que quase todos eles tenham algum significado dentro da narrativa.

É uma temporada pesada, perturbadora e, em muitos momentos, genuinamente assustadora. Seus excessos podem afastar alguns espectadores, mas também são parte daquilo que tornou Asylum tão memorável.

E esse é o nosso ranking: uma viagem por mais de uma década de horror, exagero, tragédia, glamour e, principalmente, muito Ryan Murphy.

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