Ed e Lorraine Warren provavelmente são os nomes mais conhecidos no mundo da investigação sobrenatural. O casal foi responsável por diversos casos que envolviam possessões demoníacas e presenças espirituais indesejadas, como o terror ocorrido em Amityville e a boneca de pano Annabelle, considerada por eles o receptáculo de um espírito malévolo. Desde 2013, James Wan e a Warner Bros. adaptaram muitos desses casos para o cinema na franquia “Invocação do Mal”, estrelada por Patrick Wilson e Vera Farmiga. Essa trajetória chegou ao fim com o filme mais recente, ‘Invocação do Mal: O Último Ritual’.
Na trama, Ed e Lorraine se aposentaram da vida de investigadores paranormais e se preparam para o casamento da filha Judy, que começa a apresentar habilidades semelhantes às da mãe. Porém, a aposentadoria dura pouco quando um demônio do passado ressurge para atormentar uma família da Pensilvânia. No caso que mudaria suas vidas, o casal precisa enfrentar a face do mal mais uma vez — e sobreviver ao encontro.
Baseado em um dos episódios mais famosos do casal, a assombração dos Smurls, o filme marca o retorno de Michael Chaves à direção. Apesar de não alcançar a elegância e o pavor silencioso dos longas comandados por James Wan, há certo aprimoramento em relação ao título anterior e ao derivado mais recente, ‘A Freira 2’, ambos também dirigidos por Chaves. Recursos como zooms que deformam os rostos dos atores, vômitos em referência a ‘O Exorcista’ e cenas em que espelhos macabros revelam verdades ocultas são as estratégias mais comuns para trazer o sobrenatural à tona, além do uso recorrente de demônios em CGI, propositadamente incômodos de assistir. A constante presença da boneca Annabelle pode soar como uma tentativa de integrar o personagem mais memorável da franquia, embora nem sempre se justifique.
Assim como nos outros filmes, o verdadeiro pilar da narrativa não é apenas o terror, mas a relação dos Warren, agora em especial com a filha Judy. O amor entre eles fortalece as cenas mais tensas, ainda que os efeitos especiais falhos e a trilha sonora exagerada, por vezes, comprometam a emoção. A decisão de atribuir a Judy alguns dos dons mediúnicos de Lorraine parece ser uma tentativa de manter viva a franquia, expandindo o universo já consolidado.
Mas será que isso é realmente necessário? O universo expandido dos Warren se transformou em um fenômeno cultural dentro do gênero de terror, mas este último filme assume com dignidade o papel de despedida. Não se trata de um adeus melancólico ou meticulosamente calculado: foi uma jornada que durou mais do que se esperava e chegou ao fim antes que o desgaste dos personagens superasse seu encanto.
Wilson e Farmiga retornam com o carisma que conquistou o público desde 2013, agora trazendo ao casal Warren o peso da idade e das responsabilidades exaustivas, com Farmiga recorrendo a frases enigmáticas para expressar a complexidade de Lorraine. Já Mia Tomlinson entrega a Judy Warren uma maturidade precoce, equilibrada pela vulnerabilidade de ainda ser uma jovem diante de um mundo que não compreende.
‘Invocação do Mal: O Último Ritual’ não é nem de perto o auge da franquia, mas consegue encerrar com respeito a trajetória de Ed e Lorraine Warren no cinema. É uma despedida que celebra o impacto cultural dos personagens e reconhece sua importância no imaginário do terror contemporâneo, sem alongar-se ao ponto de perder a força.

